7/15/2009

O sentido da vida

Bolas!!! Quase 5 anos. Já passaram quase 5 anos.

Mal podia acreditar.

Envelhecera sem dar conta, entretido em enredos mesquinhos de muitas vidas sem sentido, ou cujo sentido não faz sentido sem tirar o sentido à vida dos outros pelo simples prazer de as ver sem sentido, ou para aplacar o vazio da falta de sentido das suas próprias vidas.

Isto faz algum sentido?

Pedro jurará, um dia, que a sua vida não seria assim, sem sentido, mas agora percebia como tinha caído na armadilha.

Fora apanhado!

- And now? - Pensou em inglês. Por vezes era mais fácil, mais directo pensar em inglês, sem os floreado típicos dos latinos.

Now... é procurar um sentido, havia que quebrar o ciclo vicioso de sentir que não há sentido.

Pensou nos belos olhos castanhos, num rosto delicado, na provocação singela do seu sorriso, na forma meiga como lhe acariciava as mãos, o rosto, o pescoço, hummm...

Afinal sempre havia um sentido... ou dois, porque a sós a vida perde todo o sentido.


5/18/2009

Mar do Amor

Passamos a vida a carregar com as mais diversas futilidades. Malas cheias de nada que não nos dão felicidade, prazer ou alegria. Contudo carregamo-las com uma passividade que enerva e no extremo, chega a meter nojo.

Mas há sempre um dia, um dia em que despejamos o vazio que carregamos em todas essas malas e abraçamos um corpo repleto de felicidade, alegria, muito Amor e uma imensa ilusão.

Nesse dia saltamos a bordo do navio, ou do bote, sabendo que a mais leva agitação do mar nos irá a arrastar para o fundo, um fundo escuro e frio.

Mas que importa isso? Nada, absolutamente NADA, pois esse é o dia mais feliz de toda uma vida.

Pedro vivera intensamente esse dia, e mesmo quando a tempestade o tentou arrastar para o fundo das água cristalinas da baía, ele sorriu, e gritou bem alto:

- SOU FELIZZZ! SOU FELIZZZZ!

Na margem um olhar brilhante e intermitente desbravava um caminho nas águas agitadas da baía, uma rota que saberia o conduziria a ela...

...às ondas doces, calmas e intensas no mar do seu imenso Amor.


3/14/2009

Luz Intermitente

Vou e volto,
não paro,
não descanso.

Vou e volto
volto a ir e a voltar
mas algo me faz parar
e olhar,
contemplar o mar
no teus olhos,
a brisa nos cabelos soltos
na alegria de amar.

Vou e volto,
como este farol que não cansa de rodar
e rodar e rodar
sem vacilar
sem nunca parar.

Roda pela esperança, de um dia o teu amor iluminar.


1/26/2009

A Promessa

"Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar"



Não sei, não quero, não vou parar de te olhar...


12/25/2008

Luzinha de Natal

Do cimo do farol, aquela noite parecia a mais escura do todo o ano. Não que a fosse realmente, a escuridão brotava do seu interior e enegrecia tudo ao seu redor. Até a luz cintilante e intermitente do farol se apagava ao passar por ele.

Ao longe, o oceano permanecia admiravelmente agitado. Ondas descomunais atiravam-se ao céu cristalino, tentando desesperadamente agarrar uma nesga, um brilhozinho de luz das estrelas. A própria lua, no calendário cheia, estava magra como um cabo de uma vassoura.

No meio daquela escuridão, uma luz surgiu no horizonte. Um luz que bordava a pós de estrelas a estrada do farol. Uma luz que encandeava os curvas e contracurvas do sinuoso caminho que conduzia ao farol. Nesse momento sentiu uma luz acender-se dentro si, uma luz quente e doce que queimava a solidão que o preenchia.


Após intermináveis minutos um carro estacionou em frente ao farol. Repentinamente o mar acalmou, a lua abriu os seus olhos luminosos e as estrelas desceram até à superfície do mar. Do interior da viatura saiu um anjo luminoso, que olhando para ele no cimo do farol, gritou:

- Feliz Natal Faroleiro!

Agora sim aquele seria um Natal Feliz.

Esta é minha Luzinha para todos os amigos do Farol, com votos de um feliz natal e desejos de muita alegria para o novo ano.


11/26/2008

Memórias do futuro

Insistentemente volto a este a Farol, genuíno Porto de Abrigo, ancoradouro de tantas alegrias, de imensas tristezas, de intensas emoções e ardentes paixões. As vividas e aquelas que ansiamos ainda por viver.

Uma espécie de retrospectiva de um futuro ainda não desenhado pelos caprichos da vida, mas suficientemente projectado em momentos presentes, embora às vezes…

Tinha projectado virar à esquerda naquele cruzamento. Tão simples rodar o volante para esquerda, mas não, não poderia ser assim tão simples. A saudade do futuro apossou-se misticamente do volante e lá foi ele para a direita.

O destino estava traçado, não havia volta atrás. Sabia que o velho, enorme e pesado portão estaria aberto, como aliás sempre está.

Um oportuno lugar livre para estacionar parecia encaixar na perfeição nos planos não traçados. Apenas o invulgar frio convidava a partir rumo a paragens mais quentes e acolhedoras fisicamente, e gélidas emocionalmente.

Sem pensar demasiado atravessou o portentoso portão, imergindo num misto de passado e futuro, onde as emoções de ontem se misturavam com os desejos de um amanhã, onde o ar gélido do final de tarde de Outono lutava para arrefecer os desejos de uma paixão vazia de corpos, onde apenas as memórias ardiam com labaredas multicolor em tons dourado e perfume a baunilha.

A cada passo uma saudade que se quebrava ruidosamente. Um pedaço de futuro que ficava cativo no passado. Parou, olhou em volta como receio que fosse notado. Mas estava definitivamente só.

Apenas ele e a recordação de outro tempo, de outras cores, de outras sensações.

Inspirou profundamente o ar frio que, por instantes conseguiu entorpecer os pensamentos. Entre as suas mãos onde, em outros momentos palpitara uma pele doce e quente, agora apenas estava um tecido sem vida, sem alma, sem paixão.

Por momentos enternecera-se, sonhara, mas estava na hora de voltar ao passado, que o futuro, esse, já era…

Saiu pelo mesmo caminho, voltou ao cruzamento e virou à esquerda...

...estava de novo na rota prevista pelo futuro, um caminho expiado ao passado.

"...As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar..."



8/16/2008

A Luz da Partida

A luz da lua atravesso-a como por magia.

Ao largo, o mar brilhava tocado pela magia do beijo que ternamente ele lhe depositara nos lábios.

Um suave e acetinado lençol branco de espuma enrolou-os num suspiro final de êxtase. Vozes ténues e longínquas lembravam que não estavam sós naquela praia.

A coberto do manto espesso do amor estavam a salvo. Apenas a luz do luar e o farol distante que periodicamente os espreitava tinham sido testemunha do intenso momento de paixão.

Abraçados deixaram-se levar pelas ondas e partiram sem rumo, como o grande navio sem destino que se rende, definitivamente, à força do amar.

Mas afinal eram apenas como duas pequenas barcaças que jamais voltariam a tocar terra, …juntas.


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